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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Mundano

Encontro-me nas areias pisoteadas,
Nos búzios encalhados em praias sórdidas,
Cravados em corais pontudos

Depois de atravessar um mar inteiro pairando salgado,
De faces ao sol;

Depois de ter me lançado à imensa profundeza
Do adverso da costa, nesse lago revolto e desgostoso.

Ao mesmo tempo em que me acho em ruas espezinhadas,
Nas calçadas estreitas de pedras soltas,
Escorando muros coloridos

Depois de caminhar pela era que a ruazinha sussurra,
Tropeçando os pés distraídos em seu conto;

Depois de ter deixado a morada ao fim da rua,
Atentando escadas vermelhas, árvores definhando,
Hortênsias em flor.

E mesmo assim eu me espalho em toda a cidade,
Nos bancos arruinados de sol, nos postes chorando a chuva,
Recontando histórias, revivendo vidas

Depois de diversos tropeços, muito caminhar,
Depois de atentar as flores que jazem eternas
Nos muros matizados que escoram pedras soltas
Da ruazinha que sussurra histórias.

Encontro-me nas areias pisoteadas,
Nos búzios encalhados de praias sórdidas,
Sobrevivente do outro lado da costa.

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