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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sobre pedidos

Valha Deus que eu esteja errada, que meus pensamentos confusos de um dia incerto não sejam mais que o produto de datas negras que deveras se apresentam, como o sumo da laranja podre espremida, a arte final dos desenhos macabros que minha mente alinha contra um muro de tijolos para que eu atire em suas costas, deixando manchas eternas na parede. Mas se assim tiver de ser mais uma vez, que Ele me ajude a repintar o murado outra vez dentre tantas, sem fazer questionamentos sobre quando eu vou renegar minhas armas imaginárias.
Valha Deus que as palavras malditas e mal ditas que nascem em dias assim sejam obra do momento, desprovidas do que se sente, despidas de sabores, como no alto inverno a neve que promete cair e derrete antes de encontrar ao chão, e que se eu não for forte o suficiente para segurar a torrente de impropérios que às vezes lhes cabe (saibam), que Sua mão seja rápida o suficiente para tapar minha boca até os verbos se acalmarem em minha garganta.
Valha Deus que eu reconheça as estradas, que se eu por acaso vir a me perder novamente num labirinto engenhoso de miragens, eu lembre de descansar sobre meus joelhos e meditar "eu já saí daqui uma vez", e se por acaso eu me perder num labirinto novo, valha Deus que eu conheça os motivos e reconheça os limites que se erguem bem antes das paredes floridas de carnívoras.
Valha Deus por mim que morro a cada má notícia, e que eu possa evoluir para um estado pleno de menores emoções contraditórias assim que possível, mas que enquanto isso Ele não canse de dizer "te acalma que eu to aqui" todas as vezes que encaro paredes, duvido e mesmo quando finjo não ouvir.
Valha a Deus àqueles a quem eu evoluiria em anaerobiose para que não lhes faltasse esse sustento, mesmo que tal pensamento O faça dizer entre gargalhadas que essa demonstração de afeto não se aplica nesse mundo.
Valha Deus que toda essa gente a quem Ele me apresentou em circunstâncias sempre difusas, não sejam Seus sinais de minha vida infesta de pragas, muito menos determinados de meu azar intra-uterino de ter nascido sob um signo inimigo de sentimentos.
E ainda valha Deus por nós, os desastrados que vivem no chão, e que Sua mão seja forte e persistente o bastante e não se canse de nos levantar até quando cansarmos de cair.

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