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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sobre a vida urbana

Isso é um pouco do que eu conheço do mundo, no qual eu cheguei atrasado:
No ano errado, num dia que me rende um signo fadado ao sofrimento.
As árvores choram seus galhos sobre as leiras mal cuidadas.
Poucas vezes vejo o sol,
Somente quando não se esconde atrás dos arranha-céus que voam alto,
E menos ainda penso naqueles que se perdem horizonte afora:
Meu antigo passatempo.
Nos campos que via antes a grama delimitava o chão em matizes de verde,
Uma casinha se aconchegava solitária sobre o talude.
E o cenário se estendia longe em suas milhares de curvas,
Sob as lágrimas dos olhos das nuvens.
Hoje vejo um horizonte através de janelas quadradas,
Muito regulares, muito angular.
E os campos verdes de vários tons são agora caixas grisalhas
Que racionam a luz do dia.
Nascidos sob um signo fadado à mesmice,
De um mundo que corre rápido e esquece-se dos atrasados.
Isso é um pouco do que conheço do mundo.

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