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domingo, 15 de março de 2015

Sobre desassossegos

Caminhou sob os postes que pingavam suas luzes,
Estalidos contra o asfalto feito lágrimas vazias.
Dançou seus desgostos como se a noite cantasse
Sua música pragmática de noites de ruínas.
E correu quarteirões, ouviu falarem os muros
Que a noite é mesma nessa cidade por inteiro.
"De que adianta a pressa?", consolou-se os desassossegos,
Na quietude do mal dos que não seguem nenhum rumo.
E fez morada as avenidas e de teto o céu escuro,
Iluminou-se a vaga-lume na bênção de letreiros.
Aconchegou-se no tempo, àquele tempo já maduro,
Que ele é mesmo o melhor abrigo nesse mundo passageiro.

Só não chorou com os postes porque a vida não deixa:
O mundo é o mesmo em qualquer lugar do mundo,
E pessoas comuns é mais comum do que se pensa.

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