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terça-feira, 3 de março de 2015

Sobre a vida lá fora

As vidas suspensas no segundo andar dos prédios
Desenham-se em inseguranças atrás de grades retorcidas.
Janelas entreabertas mostram quadros de formatura,
Uma mesa arrumada, o jantar requentado
Sob lâmpadas tão claras contra a escuridão da rua.
E o ônibus-guia desliza logo ao lado,
Com sua dezena de olhos vidrados nas janelas desbotadas,
Ornadas de teias, descascando sua epiderme,
Ostentando ângulos ao suspirar solidões.
E no veículo depravado os bancos sussurram conselhos
Sobre atitudes, ousadias e esperanças.
A rua grita desamores e promete eternidades
Para almas trancadas atrás de suas próprias janelas.
E no murado, logo abaixo, rebocado de temor,
Um poeta urbano dita aos olhos dos passantes
Que "a vaidade, o egoismo e a má fé destroem qualquer amor".

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